ESCLEROSE LATERAL AMIOTRÓFICA (ELA)


OS BENEFÍCIOS DA FISIOTERAPIA NEUROFUNCIONAL EM PACIENTES COM ESCLEROSE LATERAL AMIOTRÓFICA (ELA)


A esclerose lateral amiotrófica (ELA) é uma doença neurodegenerativa caracterizada pela degeneração progressiva que acomete tanto os neurônios motores superiores (NMS), localizados no córtex motor e tronco encefálico, quanto os neurônios motores inferiores (NMI), localizados na medula espinhal. É a degeneração comumente do corno anterior da medula, do núcleo motor dos nervos cranianos do tronco encefálico e das vias cortico-espinhais e cortico-bulbares. Devido à degeneração das células dos neurônios motores localizados no córtex motor, tronco encefálico e medula espinhal, o indivíduo com ELA tem dificuldade de iniciar e controlar o movimento muscular, mas as funções vesico-esfincterianas, sexuais, sensitivas e cognitivas se mantêm preservadas, assim como a inteligência e a memória. 

A incidência de pacientes com ELA no mundo é relativamente uniforme, estando entre 1,5 e 2,5 casos por 100.000 habitantes por ano9 . Na América do Sul, existe pouca informação sobre a ocorrência de casos no Brasil, estudo publicado no ano de 2013 mostrou que a prevalência de ELA na população de Porto Alegre (RS) é de atualmente 5,0 casos para cada 100.000 pessoas10. Acomete mais o sexo masculino, em uma proporção de 1,5: 1 a 2:1 em relação às mulheres e pessoas caucasianas, com idade acima de 40 anos.

Os sintomas podem ter início em qualquer fase da vida. Como é uma doença fatal, o óbito ocorre entre quatro a cinco anos após o início dos sintomas em 50% dos pacientes, 15 a 20% sobrevivem mais de cinco anos. No entanto, devido à evolução da assistência médica a pessoas com ELA, a estimativa de vida tem aumentado e cerca de 10% vivem mais de 10 anos. 

A etiologia da ELA ainda é desconhecida, porém acredita-se que seja multifatorial, incluindo fatores genéticos, ambientais, autoimunes, oxidativos e exitotóxicos. A ELA pode ser classificada em quatro tipos de acordo com suas características etiológicas:
1. ELA familiar, provavelmente de causa hereditária, com transmissão de forma autossômica dominante ou recessiva;
2. ELA guamaniana, provavelmente decorrente de hábitos alimentares observados em anos anteriores a 1960 na Ilha de Guam, cuja incidência era elevada, chegando a ser 50 a 100 vezes maior do que a encontrada em outros países do mundo;
3. ELA secundária, provavelmente decorrente de processos infecciosos ou tóxicos; 
4.  ELA esporádica, para as formas idiopáticas.

Os sinais e sintomas apresentados por esses pacientes podem ser: clônus, sinal de Babinski, hiperreflexia e espasticidade, que caracterizam acometimento do NMS; câimbras, atrofia, hipotonia, fraqueza muscular e fasciculações, que caracterizam acometimento do NMI; e disfagia, disartria e sialorreia, caracterizando acometimento bulbar. Esses sinais e sintomas vão acometendo o paciente gradativamente, resultando em um declínio funcional. Algumas pessoas podem sentir os sinais se iniciarem nas extremidades superiores, depois se manifestam nos demais membros, tronco, musculatura faríngea e respiratória.

Ao longo do tempo, leva à limitação ou incapacidade definitiva para a realização das atividades de vida diárias (AVDs), disfagia e insuficiência respiratória, sendo esta última a principal causa de óbito. Nesses pacientes, a fraqueza muscular associada à fadiga é a principal causa de limitação para a realização das AVDs e por isso torna-se sua maior queixa; outro fator bastante limitante é a espasticidade.


A fisioterapia neurofuncional tem como principal objetivo manter a independência com mobilidade funcional, permitindo a realização das atividades da vida diária. Entre os objetivos secundários estão: prescrever exercícios apropriados, educar o paciente e os familiares, minimizar as deficiências por meio de adaptações, prevenir as complicações relacionadas à imobilidade e eliminar ou prevenir a dor. Em conjunto, esses objetivos têm a finalidade de proporcionar melhora na qualidade de vida (QV). Com a confirmação do diagnóstico, parte dos médicos não acredita que a fisioterapia consiga manter a QV desses pacientes. Isso ocorre por causa da baixa expectativa de vida e da inabilidade em ganhar e/ou aumentar o grau de força dos músculos. Porém, apesar do mau prognóstico, acredita-se que a fisioterapia é um componente importante no tratamento de pacientes com ELA. Entre os profissionais de saúde, ainda há um déficit de informações sobre os objetivos e benefícios da fisioterapia nessa população. Isso ocorre porque existem poucos estudos que relatam a eficácia da fisioterapia neurofuncional nos pacientes com ELA.


FONTE: GUIMARÃES, Maria Talita dos Santos; VALE, Vanessa Donato; AOK, Tsutomu. Os benefícios da fisioterapia neurofuncional em pacientes com Esclerose Lateral Amiotrófica: revisão sistemática. ABCS Health Sci. 2016; 41(2): 84-89.


LINK: https://www.portalnepas.org.br/abcshs/article/viewFile/874/737



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